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terça-feira, 15 de abril de 2014

entenda a importância da higiene bucal do seu pet! Bate papo com a Dra. Patrícia Barbosa odontóloga

Batemos um papo sobre tártaro placa bacteriana e suas complicações, limpeza dos dentes, cuidados com a boca dos pets com a Dra. Patrícia Barbosa. Primeira lição aprendida: tem placa bacteriana tem doença periodontal! 




T&L: O que é a doença periodontal? Existem diferentes tipos e/ou graus? O que faz com o animal tenha essa doença?
PB: É a doença infecciosa mais comum em cães e gatos adultos. Apresenta-se como uma doença inflamatória e progressiva das estruturas de suporte e proteção dos dentes e é a principal causa de perda dental prematura em cães e gatos.
O início se dá com a aderência de bactérias na superfície do dente e gengiva, formando a placa bacteriana. A forma inicial da doença é a inflamação da gengiva (gengivite), que é um processo reversível e pode ser resolvido com a profilaxia (raspagem e polimento).
A progressão da inflamação leva a um processo chamado periodontite, em que os tecidos que sustentam os dentes são afetados. Essa inflamação causa destruição e é irreversível. Nesse caso, é necessário realizar extração de alguns dentes.
A periodontite, ou doença periodontal, é classificada em vários graus dependendo da extensão do dano nas estruturas de suporte do dente (mobilidade dentária, perda óssea, retração de gengiva, exposição de furca).



T&L: Além do bafinho que incomoda e do aspecto sujo do dente, a doença periodontal oferece algum o risco para a saúde do pet?
PB:  Um problema mais grave em relação à doença periodontal é a bacteremia, que é a movimentação das bactérias ou de seus subprodutos pela corrente sanguínea. É preocupante pois essas bactérias podem se alojar em órgãos importantes, como rins, fígado e coração.


T&L: Quando o animal deve ser submetido ao tratamento periodontal? Existe alguma restrição ao procedimento? Quais os riscos?
PB:  O animal deve realizar anualmente a profilaxia oral, que é a raspagem e o polimento dos dentes. Se o animal apresentar dificuldade para comer, sangramento ou salivação excessiva ou incômodo oral, ele pode estar dando sinais de que a saúde oral está comprometida. Desse modo, deverá passar por avaliação com o dentista veterinário, que fará uma avaliação e saberá instituir o melhor tratamento.


T&L: Como é feito o tratamento periodontal? O pet é anestesiado para o procedimento? É preciso tomar algum remédio antes? Os humanos quando fazem limpeza dentária devem evitar café, chá verde, molho de tomate.... e os pets? Os donos devem ter algum cuidado após o tratamento?
PB:  O animal deve sempre ser submetido à anestesia geral. O animal precisa estar dormindo para que possa ser feita uma avaliação aprofundada e um trabalho com utilização de instrumentos cortantes de forma segura.
Em relação à medicação, varia de animal para animal, de acordo com o grau de doença periodontal e as condições gerais.
Após o tratamento, se forem feitas extrações ou outros procedimentos que possam causar sensibilidade, recomenda-se oferecer alimentação pastosa, e nada mais. Outro cuidado importante é manter a higienização com antissépticos bucais.


T&L: Qual a importância de um veterinário especializado em odontologia realizar o procedimento?
PB:  O veterinário especializado possui conhecimento teórico e prático mais avançado que o clínico geral, pois concluiu um curso de pós-graduação lato sensu de 500 horas. O dentista veterinário tem o material cirúrgico mais adequado e equipamentos específicos para atendimento odontológico (aparelho de radiografia intraoral, equipo, compressor).



T&L: É possível ter trincas ou outras complicações embaixo do cálculo? Em quais situações isso é mais comum? O que o veterinário odontólogo faz nesses casos?
PB:  Sim, é possível que existam defeitos no esmalte dentário ou fraturas escondidas sob o cálculo. O esmalte dentário protege a dentina e, nas situações em que a dentina fica exposta (ex: má formação do esmalte ou fratura), a placa bacteriana se adere com maior facilidade, e consequentemente, o cálculo é formado em maior quantidade. Qualquer que seja o caso, o dentista veterinário é capaz de diagnosticar e avaliar a melhor conduta (extração, tratamento de canal ou restauração).


T&L: Muitos blogs falam que tem que escovar os dentes dos pets todos os dias, mas a gente sabe que poucos donos podem/lembram/conseguem fazer isso. Escovar os dentes uma vez na semana é suficiente para evitar a doença periodontal? Você tem alguma dica para nos dar para que seja mais fácil e agradável a hora da escovação?
PB:  A placa bacteriana se adere ao dente em 24 a 48 horas. Sendo assim, é importante que a escovação seja diária ou a cada 2 dias. Claro que no nosso dia-a-dia atribulado fica complicado escovar os dentes dos nossos pets, ainda mais quando eles não aceitam com muita tranquilidade. Por isso, eu sempre passo algumas dicas aos proprietários para tentar fazer essa atividade se tornar um momento agradável tanto para o dono quanto para o pet, seguindo algumas etapas.
Primeiramente, o animal deve se acostumar à manipulação oral. O proprietário deve fazer carinho na região da boca até o anima permitir a aproximação sem reclamar.
Depois dessa etapa, deve-se começar a fazer uma manipulação nos dentes e na gengiva, com os dedos mesmo. Aqui, o dono pode utilizar uma gaze envolvendo o dedo, molhada ou com um pouquinho de pasta (que deve ser de uso veterinário), ou uma dedeira de borracha.
A próxima etapa é a escovação com escova de dente. Nesse ponto, o animal já vai estar acostumado com a manipulação e deve aceitar a escova com mais tranquilidade.
É importante sempre realizar a escovação no mesmo local e no mesmo horário, para que o animal se acostume com uma rotina. Ao final, o pet deve receber uma recompensa como forma de incentivo. Pode ser um petisco, um carinho, um passeio, ou qualquer coisa que ele goste muito. Ele vai começar a entender que se aceitar a escovação, vai receber um agrado.
O tempo entre uma etapa e outra depende da aceitação do pet. É essencial ter calma e paciência para que esse momento se torne agradável para os dois!


T&L: Quando chegamos nos petshops existem várias pastas de dente. Existe realmente diferença entre elas? Qual a escolha mais acertada?
PB:  A pasta de dente de uso veterinário não contém sabão nem flúor. Esses componentes da nossa pasta de dente podem causar irritação gástrica ou até intoxicação nos pets. A pasta veterinária é palatável e pode ser ingerida pelos animais sem causar nenhum prejuízo. Existem várias marcas e a escolha deve ser feita de acordo com a indicação do médico veterinário.


T&L: Nós vimos também alguns produtos novos que prometem diminuir o cálculo e melhorar o hálito (tem pozinho, tem gel, tem mordedores específicos, entre outros). Eles são seguros para os pets? Você tem acompanhado bons resultados?
PB: Esses produtos não diminuem a quantidade de cálculo. O que eles podem fazer é agir sobre a placa bacteriana, reduzindo sua aderência ao dente. Eles são seguros sim, mas não devem ser utilizados como produtos milagrosos. Alguns produtos que podem também podem atuar como adjuvantes na higienização oral são os “chews”, bolinhas, e outros objetos que estimulam a mastigação.


T&L: Você pode dar uma dica para os donos dos pets manterem a saúde bucal dos seus melhores amigos?
PB:  A palavra-chave é prevenção. Profilaxias periódicas e escovação diária previnem problemas mais graves e promovem não só a saúde oral quanto o bem estar do pet. O dono deve sempre estar atento a alterações como prostração, diminuição ou dificuldade na ingestão da ração, sangramento ou salivação excessiva.


T&L: Adoramos o bate papo Dra. Patrícia, temos certeza que agora saberão como avaliar a hora de procurar um dentista pra seu pet!

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